Integração à espanhola
Outubro 18, 2007
A caminho do trabalho pela manhã, me sento no metrô lotado ao lado uma marroquina coberta pelo véu islâmico. Na frente, um casal formado por uma nigeriana e um espanhol discute, em inglês, as dificuldades da relação em crise por tantas diferenças culturais. Abro o jornal e leio o que os meus olhos já vêem: a Espanha é hoje o país que mais recebe imigrantes da Europa. Em proporção à população, alcança o índice de 10%, superando países como França ou Inglaterra.
Depois de algumas páginas sobre o caos ferroviário de Barcelona, as ameaças do Eta em San Sebastian e a insatisfação do casal Beckham em Los Angeles, encontro um anúncio do governo sobre imigração. “Com a integração dos imigrantes, todos ganham”, dizia.
A um leitor destraído, pode parecer uma bela campanha de um país aberto, com um governo socialista. Mas essa meia página de jornal exalava preconceito. Enfatizava, sem meias palavras, o espaço que cabe aos estrangeiros: trabalhos de babá, empregada doméstica, ou, como muito, cozinheiro. Conclui dizendo: “Todos diferentes, todos necessários”. É tão ridículo que é melhor mostrar em vez de explicar.

Como diz um conhecido colunista … na minha terra… isso é racismo.
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