A grande marcha
Outubro 3, 2007
Andar, andar até não poder mais. Essa é a proposta da Extra Miles Endurathon, que se realizou esta semana em Barcelona. Trinta participantes – entre atletas e curiosos – iniciaram a marcha ao meio-dia de sábado no Estádio Olímpico do Monjuic. Quatro a terminaram às 3h30 de terça-feira, após 63 horas
de caminhada, 215 Km percorridos e um acordo para dividir o prêmio.
Inspirada no livro “A Grande Marcha”, de Stephen King, a maratona é um exercício de esforço físico e mental. Os participantes devem andar sempre juntos, repetindo um mesmo percurso de 5 km pelo centro da cidade. As paradas para ir ao
banheiro ou alongar os músculos não passam de 5 minutos. Como se fosse pouco marchar sem parar ou dormir, o último a resistir deveria caminhar uma milha mais para levar o prêmio de US$3.500. O segundo colocado abocanhava US$ 1.500 e o terceiro, US$ 500.
Cada participante devia levar sua equipe de apoio para dar-lhe água, comida e o que mais necessitasse. Um brasileiro – o João – decidiu encarar a experiência e eu assumi sua equipe de apoio. A cada 2/3 horas, levava Gatorade, barrinhas de cereais, gel energético, sanduíches e doses extras de café para driblar o sono. Ele sucumbiu depois de mais de 16 horas caminhando, quando seu apoio deixou de ouvir o despertador e o deixou à deriva na madrugada.
A idéia surgiu de um
empresário alemão, Alexander Skora, que depois de ganhar alguns milhões no ramo imobiliário, decidiu repartir pela sociedade e divertir-se um pouco. Sem patrocinadores ou apoio das prefeituras, paga tudo do próprio bolso. Além do prêmio principal, cada milha percorrida pelos participantes é revertida em US$ 1 para uma ONG
escolhida pelos andarilhos.
Estive conversando com Alexander na entrega do prêmio e ele me contou que se formou em Direito, mas estava cansado de estar sempre lidando com energias negativas. “Um advogado trabalha sempre com problemas, ou os ocorridos no passado ou prevendo os futuros incidentes, realizando contratos”,
explicou. Essa não era a dele. Buscava boa energia e compartilhar momentos de felicidade e, por isso, decidiu passar os próximos três anos da sua vida organizando jogos ao redor do mundo. Claro que é mais fácil quando se tem alguns milhões no banco, mas senti uma invejinha do
seu estilo de vida e fiquei pensando como de alguma forma poderia juntar-me ao projeto. Perguntei se não tinhas planos de fazer uma edição no Rio. Ele me contou que sim, que estava previsto para fevereiro do próximo ano, mas teve de adiar porque será papai este mês. Imediatamente, me ofereci para ajudá-lo na organização e ele prontamente aceitou. Pois agora faço parte da organização da marcha carioca, com data e percurso ainda a definir. Podem ir começando a treinar.
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