Sex – do not disturb
Outubro 1, 2007

Todo mundo pensa que o ar do Brasil cheira a sexo. Estamos no topo da lista entre os que mais praticam, nossas mulheres são consideradas as mais quentes e até o tamanho dos “artefatos” masculinos supera a média mundial. Mas não precisa ir muito longe para perceber que a realidade é bem diferente da imagem. Nosso lado católico, arraigado em fortes valores de família, nos faz bastante conservadores. Falar de sexo ainda é um grande tabu. Peitinho de fora na novela das sete já ganha tarja preta. Sexo no Big Brother, só debaixo dos cobertores, e mesmo assim, por poucos segundos.
Quando cheguei à Espanha, notei uma gritante diferença. Aqui, o vídeo da Cicarelli <<follando>> na praia foi exbido centenas de vezes, com direito a closes e longos debates se ela tinha gozado uma ou duas vezes. Tudo recheado por piadinhas e comentários ácidos. A televisão – num reflexo da sociedade – discute sexo abertamente, sem rodeios ou meias-palavras. Bem antes da meia-noite, já se pode ver filmes pornôs em canais abertos, acompanhados de chats por sms: “homem busca homem para noite de prazer sem compromisso, ligar para 69696969969″.
E é dentro desse clima de liberalidade que começa esta semana a 15ª edição do Festival Internacional de Cinema Erótico em Barcelona. Entre as atrações estão a gravação de um longa ao vivo, seminários de formação para atrizes e atores pornôs, oficina de gemidos, o heatgay, área só para homosexuais, e a novidade deste ano: uma zona só para mulheres. Já garanti o meu ingresso.
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