Tolerância zero

Setembro 25, 2007

Foto João Gaudenzi

As políticas de ordem pública nem sempre vão em favor da sociedade, e muitas vezes chegam a enterrar ícones de uma cidade. Este ano em Barcelona,  duas iniciativas de “tolerância zero” geraram protestos por todos os cantos. A primeira frente de ataques foi contra os músicos de ruas, uma tradição local. Além do banquinho e o violão, os artistas devem carregar um certificado de autorização, além de respeitar os horários estabelecidos. Uma contradição à cultura urbana. Em entrevista recente à revista Mondo Sonoro, o músico Manu Chao, arredio a qualquer tipo de convenção, se disse desapontado com Barcelona, cidade onde mora atualmente. Com planos de se mudar para Istambul, criticou a cara-de-pau da prefeitura, que ao mesmo tempo em que usa “o som de Barcelona” com estratégia de marketing para atrair mais turistas, tenta calar os músicos, sufocando-os com normas.

A segunda política contraditória golpeou os ciclistas. Na contramão do lançamento das “bicings“,  bicicletas públicas que se espalharam pela Europa, a prefeitura decidiu adotar mão dura contra as infrações de trânsito. Não as cometidas pelos poluentes carros e sim contra os condutores em duas rodas. Entre outras regras, está proibido acorrentar as bicicletas em árvores – pese a ter pouquíssimos pontos de estacionamento na cidade – ou andar em calçadas de menos de 5 metros de largura. Os ciclistas estarão sujeitos a multas de no mínimo 30 euros e já foram às ruas anunciar “que não são o problema do trânsito e sim a solução”. Não foram ouvidos. Semana passada, fui advertida pela Guarda Urbana por andar na ciclovia ouvindo meu Ipod. <<Cidadã, isso é um veículo>>, gritou depois de soar as sirenes.

As fotos deste post fazem parte de um ensaio do fotógrafo João Gaudenzi, publicado na edição deste mês da revista TOP, de Curitiba.

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Jornalista por formação, radicada em Barcelona, tateando pela área de vídeo e cinema, e decidida a conhecer "o mundo", seja lá o que isso signifique.

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Flipar = Alucinar, viajar.

Batatas bravas = batata frita cortada em quadradinhos acompanhada de um molho de tomate apimentado. Petisco típico espanhol.

Pa amb tomàteq = comida típica da catalunya. Nada mais é do que pão com tomate ralado, sal e azeite.

Um par = como o nome diz, deveria significar dois, mas aqui também se usa como sinônimo de "alguns". Desde que sejam poucos.

Mala-leche = mau humor, mais ou menos como estar de ovo virado ou azedo

Cagar en la leche = uma ofensa tão grande que é melhor nem explicar. Pior que isso só fazer o mesmo na mãe ou nos mortos.

A ver = o mesmo que "vamos ver", mas mais curtinho

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Follar = transar

Michelines = pneuzinhos, aqueles indesejados da barriga

Culo = bunda. O outro se chama "agujero del culo"

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