Babel
Setembro 18, 2007
O Big Brother espanhol, que começou semana passada, é o reflexo da miscigenação cultural que vive a Espanha. Na edição anterior, uma brasileira – Naiala – levou o grande prêmio. O “Gran Hermano” atual, nona exibição do programa, parace ir na mesma direção. Entre os concursantes, há três estrangeiros residentes na Espanha: um senegalês, um marroquino e um italiano.
A Espanha é hoje o país que mais recebe imigrantes da União Européia. Vivem aqui mais de 1,3 milhão de estrangeiros, com influência clara na cultura local. Em Barcelona, os comerciantes tradicionais protestam contra as lojas chinesas, que vendem tudo por sessenta centavos. No Raval, bairro barcelonês com 55% de estrangeiros, a cada mês fecha uma loja e abre uma mesquita. Por toda a cidade, os minimercados pertencem aos paquistaneses, chamados simplesmente de “pakis”. Como uma sociedade nunca é uma coisa só, eu noto uma mistura de tolerância com discriminação. Na mesma proporção.
De volta ao BBB – Big Brother Babel -, Andalle, o senegalês, é muçulmano e tenta explicar aos companheiros por que no seu país ninguém namora. Até agora não conseguiu, assim como ainda gera estranheza quando reza várias vezes ao dia. Num claro sinal de racismo, foi eliminado na primeira semana, mas ainda continua no programa. Foi parar num tal limbo, esperando uma oportunidade de voltar à casa. Piero, o italino, também foi expulso, e divide a suíte dos expulsados com Andalle. Mohamed, o marroquino, ainda não disse a que veio. Ele mora na ilha de Ceuta, de nacionalidade espanhola, mas cultura de árabe.
E como a polêmica aqui é coisa séria, a única modelo do Gran Hermano é uma transexual de 18 anos – Amor. Diz que que quer usar o dinheiro para fazer a operação de mudança de sexo, mas não acredito que dure muito na casa. É constantemente criticada por dar amor em excesso. Ninguém notou ainda que se trata de um travesti, mas está no paredão desta semana. Seu queridinho na casa é Rodrigo, um militar que serviu ao Marines americano no Iraque. Está rolando um clima forte.
Eu, que tinha me desconectado da <<tele-basura>>, voltei a ver. Ai, meu Deus.
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